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14 de jul. de 2015

Divulgação: Antologia Legado de Sangue - Andross Editora

 


Organização: Alfer Medeiros

Editora: Andross





Oi gente!
Tudo bem com vocês?
Talvez alguns já saibam, mas no final do ano passado, graças a indicação da nossa parceira Lia do Construindo Estante, eu enviei um conto para uma seleção da Andross Editora e ele foi selecionado!
A antologia possui contos de horror com os mais variados estilos de escrita, dê uma olhada na sinopse:

"Poe, Lovecraft, Shelley, Stoker e outras lendas da literatura de horror não produziram só histórias para assustar. Esses mestres criaram formas de prender o leitor em pesadelos escritos, habitados pelos monstros mais horrendos que uma mente pode conceber. Inspirados nessa herança literária, os autores de “Legado de Sangue” se propuseram a continuar a tradição e criaram contos que surpreendem e assustam tanto quanto um ser que espreita na escuridão, esperando por sua vítima."


Os livros chegaram hoje :)





Estou vendendo a R$ 25,00 + R$ 5,00 o frete pra todo o Brasil!
Quem estiver interessado é só clicar no botão abaixo:
Agradeço o apoio de vocês!

9 de jun. de 2015

Conto: Um fio de esperança por Raquel Machado

Oi gente!
Tudo bem com vocês?
Vocês lembram da nossa parceira Raquel Machado? Sim, a autora de Vingança Mortal!
Mais uma vez a Raquel vem nos prender com sua escrita fluida, mas agora ela escreveu um pequeno conto de terror.

O conto é super intrigante e você vai ler em menos de cinco minutos ;)
Você pode ver o conto abaixo, clicar aqui para baixar, acessar no Wattpad ou ver o vídeo no YouTube.


Um fio de esperança

Acordo com as batidas incessantes na porta. É noite ou dia? Não que isso tenha relevância.
Levanto de mau grado e arrasto-me até a entrada da pequena casa. Abro a porta pronta para xingar quem quer que seja, porém nada consigo ver. Uma rajada de vento me atinge, o que me faz sentir um calafrio repentino, a chuva se aproxima.
Decido procurar alguma coisa para comer. Entro em casa e abro os armários, porém eles estão vazios. Tão vazios como minha própria alma. Ao fundo avisto um pacote de bolacha, que vai servir.
Sento na mesa e vejo um inseto correndo sobre ela. Não é exatamente uma barata nem tampouco um besouro, parece algo dos dois. Bicho nojento. Mato-o sem dó.
Abro o pacote de bolacha e vou mordê-la, quando vejo o mesmo bicho. Este parece encarar-me nos olhos. Fico hipnotizada por aquele pequeno ser de oito patas. Engulo a bolacha junto com o bicho que me atormenta. Porém, a náusea me atinge.
Vou até o banheiro e vejo meu reflexo no espelho. Eu ainda sou a garota mais bonita do mundo. Começo a escovar meus cabelos, porém percebo que eles estão caindo em grandes tufos, uma praga da doença que me aflige.
Ligo a torneira e, ao lavar minhas mãos, percebo algo estranho. Pedaços de pele começam a se desprender. Minha linda pele clara não existe mais, em seu lugar vejo somente os músculos do ser imperfeito que eu sou.
Grito desesperada. As luzes se apagam e um silêncio preenche o ambiente. Tento aguçar minha audição, e escuto meu próprio grito, que parece ecoar pela casa.
Corro para sala tentando me esconder, porém sinto meus pés pesados. O tapete da sala parece areia movediça. Arrasto-me com dificuldade até um canto e sento. Tinha escutado histórias sobre pessoas com doenças terminais. Elas costumavam ver e ouvir coisas, então talvez seja tudo parte de minha imaginação.
Acordo dos meus pensamentos ao sentir pingos de chuva caírem sobre minha cabeça. Maldita casa, terrível, urbana. Sinto que a água não é límpida, mas sim vermelha, e sua consistência é diferente, parece sangue. O sangue de todos que maltratei.
Corro para a porta, mas não consigo encontrá-la. Estou trancada a mercê dos mortos que vêm me buscar, cobrando por meus pecados. O sangue sobe pelos meus pés, ao mesmo tempo, que escuto o choro das almas sofredoras.
É o meu fim. Sinto-me afogar, o ar saindo dos pulmões. Já coberta por aquela corrente sanguínea, abro os olhos e vejo uma criança. Instintivamente a reconheço, aqueles olhos da época em que minha inocência era pura. Ela estende sua mão e tento com muito esforço pegá-la, mas já não tenho forças. Nos entreolhamos e, por um instante, sinto que ainda existe esperança. Sem mais pestanejar, acabo sucumbindo.
Acordo sobressaltada com um barulho incessante na porta. A chuva cai incessantemente do lado de fora. Olho para o criado-mudo onde estão os vários remédios que fazem parte de minha vida. Maldito sonho.
Caminho até a porta de mau grado. Abro e não vejo ninguém, escuto apenas o barulho do vento que sussurra:
- Ainda há tempo.


Obrigado Raquel por matar a nossa saudade da sua escrita ;)

23 de nov. de 2014

Conto: Ser nada é fábula


Minha escola fica dentro duma árvore velha, gasta, com folhas amarelas e quase mortas. Aquela grama que toma conta dos jardins frontais está pálida. Antes era verde, irradiando vida. Agora está seca e amarelada, tornando o local ainda mais melancólico.
    Ao entrar na sala de aula, percebo que alguns de meus colegas já chegaram: o primeiro que vejo é o leão - sempre sentado em seu espaço - enquanto seus amigos conversam com ele. O leão tem que olhar para cima, para poder ter uma melhor interação social com o porco-espinho e o macaco. O macaco tem uma espécie de farpa cravada no meio duma das patas, e por isso anda sempre mancando. Depois consigo ver o cavalo, alto e gracioso, relinchando enquanto conta piadas para alguns companheiros (o tamanduá e o louva-deus).
    Quando acomodo-me em meu espaço, vejo a coruja sentada ao meu lado, asas cruzadas sobre o peito, centrada numa passagem de um livro de matemática. Nunca consegui entender como consegue estudar incessantemente. Atrás dela está o preguiça, e apesar de estar sempre sorrindo e agindo lentamente, ao pintar possui uma velocidade impressionante.
    Alguns espaços mais atrás está o pavão, e apesar de todas aquelas penas exuberantes e de sua singela presença, faz uma comoção com sua gargalhada inefável. Seu companheiro, o raposa, permanece sempre ao seu lado, um novo livro a cada dia numa das patas. A elefante chega logo depois, e senta-se no espaço da frente, e apesar de seus chifres amedrontadores, é o animal mais sensível que já conheci.
    Um pouco depois, chega a cadela. Ela vive me perseguindo, mas nunca soube o porquê. Acho que ela só gosta do meu cheiro. Ela late e rosna para todos os outros animais, mas nunca rosnou para mim.
    A professora entra na sala com pastas e mais pastas sob as patas. É alta, até mesmo para uma girafa, porém move-se com suavidade e graciosidade. Apesar de todo o escarcéu que os animais fazem na sala, ela abre um sorriso, cumprimentando os que perceberam sua chegada. O touro e a coala chegam (sempre atrasados), com muitas bagagens, enquanto a D. Girafa tenta pôr ordem. As moscas continuam zumbindo entre si, e apesar de todo o barulho que fazem para serem ouvidas, nunca entendi uma só palavra do que já me disseram.
    Por fim, D. Girafa coloca todos para ouvi-la, e a aula começa.


A aula acaba e vou para casa. Novamente, encaro-me no espelho, e pergunto-me que tipo de bicho sou eu. Não tenho uma crina maravilhosa como a do cavalo, nem belas penas como as do pavão, e nem mesmo a indescritível sensibilidade da elefante.
    "Que tipo de bicho sou eu?"
    E a resposta é que não sou um bicho. Nem planta. Nem mesmo uma partícula. Sou apenas vento... Levo cheiros aos animais, cumprimento-os, e depois os deixo, mas não porque quero. Deixo-os porque eles nunca me notaram, apenas me sentem quando passo por eles. Então vou embora, e jamais serei relembrado.  Como uma brisa. Uma leve brisa que passou por ali, e que não mais voltará...




10 de nov. de 2014

#DPL: O CHAMADO - Missões 3 e Extra


Oi gente!
Como muitos já sabem, estou participando de um desafio super legal chamado Desafio Pocket Leterário (DPL para os íntimos rs).
Clique aqui para ver as outras missões.

Desafio I – O CHAMADO
Início: 01/11/2014
Término: 10/11/2014
Duração:  10 Dias
O desafio O CHAMADO é composto por 03 missões que vão do nível easy ao nível hard e 01 missão extra (não obrigatória) nível expert.
A cada missão cumprida você ganha um cupom, que da direito a concorrer a um prêmio no final do desafio. Ou seja, se concluir as 03 missões, você tem 03 chances de ganhar e se além das missões, você também concluir a missão extra, suas chances são dobradas. De 03 você passa a ter 06 chances de ganhar.


3ª Missão – Um Conto de Poe às Avessas
Nível: Hard
Valor: 01 Cupom

Desenvolvimento: De todos os contos lidos, escolha 02 deles e crie uma nova história, interligando-os. Misture os personagens, os enredos, os lugares. De asas à sua imaginação.

Já estava tarde, Monika e Eliana queriam dormir... Mas o clima não estava propício para isso.
As duas blogueiras estavam isoladas. Fugiram para o ponto mais alto da cidade, pois uma doença misteriosa estava matando em minutos todos aqueles envolvidos na blogosfera.
As meninas acreditavam ser coincidência todas aquelas mortes. Depois chegaram a pensar que fosse um serial killer blogomaníaco, mas não!
Não quando viram a amiga Carol, que parecia estar bem, ter fortes hemorragias nasais. Até que o sangue começou a sair pelos ouvidos e pela boca. As últimas palavra de Carol foram "Fiquem longe do corvo!", isso antes de ceder com um último suspiro e uma lágrima de sangue.
As duas blogueiras fugiram apavoradas. Encontraram um pequeno chalé nas montanhas e nele se trancaram.
O sono e o cansaço as dominavam, mas o medo não as deixava dormir. Resolveram revezar em turnos.
Eliana foi a primeira, ficou olhando para o nada enquanto Monika tentava dormir.
Horas se passaram e, ainda no turno de Eliana seus olhos cederam, traída pelo cansaço.
Logo que fechou as pálpebras ouviu-se um barulho na porta do chalé.
A porta parecia estar sendo arranhada. Bem depressa, Eliana acordou Monika e as duas ficaram imóveis, aguardando que o barulho cessasse... Mas este não parou, ele só aumentava...
A porta começou a balançar e o arranhar já havia se tornado pancadas. A porta cedeu. Caiu ao chão como madeira recém cortada.
Corajosas, as meninas olharam para fora, mas não havia nada... Nada, até que um pequeno pássaro negro entrou voando e pousou sobre a porta caída.
Lembrando das últimas palavras de Carol alertando-as sobre o corvo, Monika questionou ao pássaro "Quem é você, pássaro infernal?". "Nunca mais" respondeu o corvo.
As meninas ficaram imóveis, assustadas não com as palavras do corvo, mas pelo smples fato dele ter respondido.
"A Morte Rubra virá" anunciou corvo, este sinal de mal agouro que vem para levar a alma daqueles que perecerão.
O corvo ficou imóvel, enquanto as últimas sobreviventes da blogosfera deixavam o mundo num banho de sangue. 


Gente, esse foi o meu conto. Espero que tenham gostado haha
Participação especial da Monika do Os Literatos, Eliana do Construindo Estante e Carol do Diário de uma Livromaníaca.
Musas inspiradoras (apesar de eu ter matado todas vocês haha). Obrigado ;)


Missão Extra – Coautor de Poe
Categoria: Expert
Valor: 01 Ponto Extra

Desenvolvimento: Crie uma ilustração ou capa para o conto que desenvolveu. Você pode usar desenhos feitos a mão com lápis de cor, giz de cera, tintas; fotos, Paint, Photoshop, Corel Draw, colagens, enfim... O que sua criatividade sem limites permitir.


Aqui eu preferi fazer a mão porque o meu tempo está meio escasso. Não riam!
A intenção era fazer o Corvo com corpo de Poe, mas durante o desenho eu pude constatar duas coisas.
1) Não sei desenhar um Corvo.
2) Não sei desenhar o Poe.

Foi o que saiu:


Foi isso espero que tenham gostado.
Abraços!

20 de set. de 2014

Um conto de horror, ou quase isso (por A.H.)

  A incrível melodia pacífica produzida pelos grilos era ouvida dentro daquele quarto de paredes gastas e pintura já descascada. Nele, um casal aconchegava-se tranquilamente, prontos para apagar a luz da vela que repousava-se em um pires de porcelana, trabalhado delicadamente com detalhes florais azuis. A mulher mulata terminava de desembaraçar os cabelos com uma escova dada de presente pela sua avó, já há muito tempo falecida. O homem, robusto, forte e de pele tostada pelos vários dias em que ficara no sol impiedoso do meio-dia, olhava para o teto, pensativo. Uma teia de aranha balançava-se suavemente, com ajuda da brisa que adentrava pelas frestas do telhado. Por um instante, o homem se perguntou como uma aranha seria capaz de produzir uma armadilha tão elaborada para capturar sua presa, mas esse pensamento foi-lhe interrompido quando a mulher deu-lhe um beijo de boa noite, e disse para apagar a vela. Ao soprá-la, o homem sentiu um estranho arrepio percorrer-lhe as costas. Não sabia porque isso havia ocorrido, mas era quase como se fosse um pressentimento. Na realidade, ele não queria ter apagado a vela. A escuridão completa tomou o quarto e a casa, de modo que qualquer coisa poderia entrar ali, sorrateira e perigosamente, e tirar-lhe tudo o que lhe era de mais precioso. Sua família.


Muito tempo depois de já ter se deitado, acordou no meio da noite. O homem fechou os olhos novamente, louco para voltar a adormecer, quando percebeu que havia algo de errado no ar. Qualquer coisa... estranha, mas não soube definir o que era. Um pouco intrigado, acabou perdendo o torpor do sono. Por que estava tendo aquela sensação? Aconchegou-se para mais perto do corpo quente e imóvel da mulher, que ressonava tranquilamente, e enterrou o nariz em seus cabelos soltos em volta do travesseiro. Tinha aquele cheiro conhecido de fumaça de lenha queimada, e isso sempre o acalmava. Prestes a fechar os olhos novamente, ouviu um barulho, alto e claro no meio da madrugada, que ecoou pela casa e pelo lado de fora.
    Abriu os olhos, encarando a escuridão, enquanto seus ouvidos prestavam atenção para qualquer barulho lá fora. O eco do barulho que havia ocorrido já ia desaparecendo, quando mais um ocorreu. Depois outro. E mais outro. Até que tudo se transformou em uma sequência, que era rápida e não tinha um ritmo específico. Foi só então que ouviu o som de rangidos que percebeu que eram batidas na porteira. Alguém estava balançando-a.
    Sua mulher mexeu-se ao seu lado, inspirando profundamente, então ouviu-a suspirar. Ela virou a cabeça, e perguntou numa voz rouca e sussurrante:
    - O que é isso?
    - Eu não sei. – respondeu o homem. Depois de algum tempo, disse: - Parece que alguém está balançando a porteira.
    Eles ficaram em silêncio, e as batidas continuavam sem cessar. Esperaram um certo tempo, pensando que talvez a pessoa que estivesse balançando a porteira se cansasse e fosse embora, mas eram intermináveis. Não paravam nunca.
    - Você vai lá ver o que é? – perguntou a mulher, sentando-se na cama, já completamente acordada.
    O homem não disse nada. As batidas continuavam, e o som dos rangidos se tornavam cada vez mais altos. Se a pessoa que estivesse lá fora continuasse balançando a porteira, as dobradiças poderiam se soltar.
    Uma sombra tomou conta da porta do quarto, e a voz retumbante do filho mais velho do casal disse:
    - Pai, quem tá balançando a porteira?
    O homem se levantou, coçando a cabeça, frustrado.
    - Eu não sei filho, mas seja quem for vai levar uma surra.
    Acenderam algumas velas, e procuraram um velho chicote de couro que pertencia à família há tempos. Estavam prestes a sair pela porta quando a voz da mulher os interrompeu. Chamava-os para verem algo pela janela. O filho do casal olhou e soltou um arquejo, e então encarou o pai, aflito.
    - Pai, corre aqui pro senhor ver!
    O homem correu até a janela, e sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Pela luz pálida da madrugada sem nuvens, havia um cachorro. Não, um cachorro não, um lobo! Era mais alto que um labrador adulto, e tinha um pelo negro que misturava-se com as sombras medonhas dos ipês que rodeavam a porteira da propriedade. Estava de pé, apoiado nas patas traseiras, fazendo com que ficasse alto, quase da altura de um homem adulto. As patas dianteiras estavam apoiadas na porteira, e ele impulsionava o corpo para frente e para trás, balançando-a. As dobradiças da porteira protestavam contra as sacudidas violentas, rangendo audivelmente em meio às batidas.
    - É um lobo? – perguntou o filho do casal, tentando ver através da cabeça do pai.
    Então o lobo parou de balançar a porteira. O som da última batida ecoou pelo ambiente e desapareceu. Silêncio. O silêncio que se seguiu foi terrível. O homem olhou atentamente para o lobo, e sentiu seu queixo cair ao perceber que ele olhava na direção da janela onde ele estava. Seu corpo estremeceu ao se dar conta que a criatura olhava para ele. O coração do dono da casa deu um salto ao vê-lo se movendo. O lobo pousou as patas dianteiras no chão, ficando de quatro, e passou por debaixo da porteira, caminhando em direção à casa.
    - Está vindo pra cá. – sussurrou a mulher, horrorizada.
    Como que ensaiado, o lobo parou de andar, olhou para o lado, na direção do curral, e encaminhou-se para lá. Alguns segundos depois, ouviram as vacas mugindo, frustradas, e os cavalos relincharem, assustados.
    - Pai, ele está assustando os bichos do curral. Temos que tirar aquele lobo de lá.
    O pai concordou com o filho, e então fizeram um plano. O garoto sairia pela porta e seguiria em direção ao curral. O pai correria ao quarto do filho mais novo (que estava começando a despertar) e abriria a janela do quarto. A janela dava para o curral, de modo que o pai pudesse distrair o lobo para que seu filho chegasse sorrateiro e chicoteasse-o para assustar o animal e mandá-lo embora.
    O filho saiu pela porta e o pai se encaminhou para o quarto de seu filho caçula. Ignorando as perguntas aflitas do filho, o homem correu até a janela que estava fechada e abriu-a lentamente. A janela rangeu, e pela fresta que se abrira, ele pôde ver algumas vacas mexendo-se inquietas em seus espaços, e viu o lobo. Farejava um monte de esterco caído ao chão, distraidamente.
    Com as mãos trêmulas de nervoso, o homem pôs-se a abrir um pouco mais a janela, tomando cuidado para não fazer barulho. Não soube bem se desviou os olhos ou por que desviou, mas quando voltou a olhar para o lado de fora da janela, sentiu seu corpo gelar até a alma. Estava de cara a cara com o lobo. Tinha a cara peluda, dentes pontudos que se projetavam para fora da boca, e um focinho salpicado de pedaços de alguma refeição que comera anteriormente. Seus olhos eram vermelhos, gélidos e vidrados, e encaravam o homem de forma astuta, mas havia um brilho qualquer de divertimento naqueles olhos bizarramente inteligentes. Mas o pior de tudo era o barulho que a criatura fazia. Uma espécie de arquejo, rouco e maléfico. O homem afastou-se da janela, assustado. O lobo piscou e saiu dali, e pela fresta da janela, ele pôde ver o filho chegando ao curral.
    Do lado de fora, a criatura saiu do curral. No exato momento em que pisou as patas negras e peludas para fora do local, os animais se aquietaram, ficando em absoluto silêncio, como se nada houvesse passado ali.