Minha escola fica dentro duma árvore velha, gasta, com folhas amarelas e quase mortas. Aquela grama que toma conta dos jardins frontais está pálida. Antes era verde, irradiando vida. Agora está seca e amarelada, tornando o local ainda mais melancólico.
Ao entrar na sala de aula, percebo que alguns de meus colegas já chegaram: o primeiro que vejo é o leão - sempre sentado em seu espaço - enquanto seus amigos conversam com ele. O leão tem que olhar para cima, para poder ter uma melhor interação social com o porco-espinho e o macaco. O macaco tem uma espécie de farpa cravada no meio duma das patas, e por isso anda sempre mancando. Depois consigo ver o cavalo, alto e gracioso, relinchando enquanto conta piadas para alguns companheiros (o tamanduá e o louva-deus).
Quando acomodo-me em meu espaço, vejo a coruja sentada ao meu lado, asas cruzadas sobre o peito, centrada numa passagem de um livro de matemática. Nunca consegui entender como consegue estudar incessantemente. Atrás dela está o preguiça, e apesar de estar sempre sorrindo e agindo lentamente, ao pintar possui uma velocidade impressionante.
Alguns espaços mais atrás está o pavão, e apesar de todas aquelas penas exuberantes e de sua singela presença, faz uma comoção com sua gargalhada inefável. Seu companheiro, o raposa, permanece sempre ao seu lado, um novo livro a cada dia numa das patas. A elefante chega logo depois, e senta-se no espaço da frente, e apesar de seus chifres amedrontadores, é o animal mais sensível que já conheci.
Um pouco depois, chega a cadela. Ela vive me perseguindo, mas nunca soube o porquê. Acho que ela só gosta do meu cheiro. Ela late e rosna para todos os outros animais, mas nunca rosnou para mim.
A professora entra na sala com pastas e mais pastas sob as patas. É alta, até mesmo para uma girafa, porém move-se com suavidade e graciosidade. Apesar de todo o escarcéu que os animais fazem na sala, ela abre um sorriso, cumprimentando os que perceberam sua chegada. O touro e a coala chegam (sempre atrasados), com muitas bagagens, enquanto a D. Girafa tenta pôr ordem. As moscas continuam zumbindo entre si, e apesar de todo o barulho que fazem para serem ouvidas, nunca entendi uma só palavra do que já me disseram.
Por fim, D. Girafa coloca todos para ouvi-la, e a aula começa.
A aula acaba e vou para casa. Novamente, encaro-me no espelho, e pergunto-me que tipo de bicho sou eu. Não tenho uma crina maravilhosa como a do cavalo, nem belas penas como as do pavão, e nem mesmo a indescritível sensibilidade da elefante.
"Que tipo de bicho sou eu?"
E a resposta é que não sou um bicho. Nem planta. Nem mesmo uma partícula. Sou apenas vento... Levo cheiros aos animais, cumprimento-os, e depois os deixo, mas não porque quero. Deixo-os porque eles nunca me notaram, apenas me sentem quando passo por eles. Então vou embora, e jamais serei relembrado. Como uma brisa. Uma leve brisa que passou por ali, e que não mais voltará...






















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Eai Alexandre!
ResponderExcluirPelo que eu vi voltou com tudo heim.
Agora eu que mais estou tendo tempo, mas logo esse fim de ano passa.
Cara não tenho nem o que dizer...
Você é genial. Vamos publicar um livro? Haha
Abraços
Hahahaha! Podemos sim, Diego.
ExcluirAbraço forte!
Nossaaa Alexandre,
ResponderExcluirEsse blog está cheio de autores talentosos! Arrasou, estou fascinada com a sua escrita!
Parabéns!!
Ps: Lancem o livro de vocês, serei uma das primeiras a comprar!
Beijosss *-*
http://diariodeumalivromaniaca.blogspot.com.br/
Olá, Ana!
ExcluirAgradeço os elogios e congratulações. Sem palavras com o comentário incrível. Beijos!
Nossa que conto genial, parabéns!!! xD
ResponderExcluirAdorei esse conto sobre os animais e realmente acontece da gente passar por uma fase em que a gente observa muito os outros e depois se põe na frente do espelho, nos perguntando quem somos... hahaha
Adorei a forma como você fechou o texto, genial!!
Ahh, indiquei vcs para uma tag lá no blog!!
http://lerissakunzler.blogspot.com.br/2014/11/tag-meme-escrito.html
Beijos!! :D
Olá, Lerissa. Obrigado por gostar e elogiar. Fico feliz que tenha conseguido levar algo do conto p'ra si. Feliz mesmo!
ExcluirQuanto à tag, faremos sim, com certeza. Abraços!
Oi, Alexandre!
ResponderExcluirMais uma vez arrasando com sua escrita. O conto ficou sensacional!
Já enviou algum para uma das antologias da Andross? Já falei para o Diego e o mesmo serve pra você.
Vocês são muito talentosos, publiquem logo um livro, que eu quero o meu autografado u.u
Beijos
Construindo Estante || Facebook
Lia, seus comentários me deixam lisonjeado. Nunca enviei nada para a Andross, porém fico felicíssimo com a dica. Beijos! ;)
ExcluirParabéns pelo conto, Alexandre... E acabamos ficando assim, realmente. O vento é essencial em muitos momentos de nossa vida, mas as pessoas não se dão conta da importância. Ele é essencial e deixa-se passar e ir..
ResponderExcluirAdorei realmente e quero ler outros.
M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista. São 6 livros para escolher, kit de marcadores e 3 ganhadores.
Como uma brisa, Alexandre. E brisas são tão boas como as passadinhas por aqui agora, digo, é só inverter a ordem (Risos.).
ResponderExcluirAdorei, de verdade. Ou como costumo escrever no meu livro... Agradecido (Por ler.). Mesmo.
Abraços
http://garotodelinhas.blogspot.com
E mais uma vez, me surpreendeu com sua escrita. seu talento é invejável cara! Muito bom mesmo! Parabéns :)
ResponderExcluirEspero um dia ler um livro seu ou coisa parecida!!
BLOG LITERANDO>> http://blogliterando.blogspot.com.br/
Oie,
ResponderExcluirhahah gostei mesmo do texto.
bjos
http://blog.vanessasueroz.com.br
Olá Alexandre!
ResponderExcluirQueria eu ter um talento desse com as palavras...
Parabéns!
Beijos
http://estantedafer.blogspot.com.br