24 de jul. de 2014

Resenha: Cira e o Velho, de Walter Tierno

Um conselho: Não acredite no velho, ele mente.

O livro “Cira e o velho” me provocou muitas reflexões.

Antigamente as pessoas contavam lendas, histórias que eram passadas de boca em boca. Contavam essas lendas como se elas mesmas as tivessem presenciado ou protagonizado. Porque isso se perdeu? Onde será que os contadores de histórias foram parar? Será que perderam o interesse em contar histórias ou será perderam o público que as escutava?

Enfim, perguntas retóricas não pedem respostas e sim reflexão, portanto vamos ao livro.

O livro se passa no período colonial e chega a ter o Quilombo dos Palmares como cenário. O narrador , em sua infância, colecionava figurinhas e tinha entre elas uma que lhe despertou curiosidade: a da personagem Cira.

Após um tempo ele resolve buscar informações sobre Cira e vai a um vilarejo onde supostamente Cira havia passado e começa a entrevistar alguns moradores que contam já ter visto ou estado com Cira.

Cira é filha da bruxa Guaracy, descendente das sereias, com cobra Norato, filho de uma cobra com uma índia. Norato tem uma irmã chamada Maria Caninana que, por um motivo que se revelasse seria spoiler, ela precisa lhe oferecer 28 almas ao Senhor das Mentiras, sendo 14 filhos dela e 14 de Norato, isso inclui que ela terá de matar Cira. Maria Caninana paga ao Velho Domingos para que execute o trabalho.

A história retrata a caça entre Cira e o Velho Domingos e inclui outros personagens folclóricos como o Guardião das Matas (Curupira), mboitatás, sereias, os reis animais e outros, mas não posso deixar de falar que o homem branco de além mar está acabando com tudo e esses personagens estão de um jeito que você nunca viu! É preciso ler para se deliciar com a história e se surpreender com o final.

Só não esqueça que se for passar pela floresta, você deve pagar o pedágio ao guardião... A não ser que você possua uma espada e simplesmente corte a cabeça dele ;)

-Cadê?! Cadê?! Você trouxe?! Pedágio! Você trouxe meu fumo?

Em Cira e o Velho, Walter consegue retratar muito bem o folclore brasileiro.

O autor não somente reinsere os nossos personagens em um novo enredo, ele os recria e os traz aos dias atuais.

O livro é realmente incrível e não podemos esquecer que o autor é brasileiro.

Recebi o livro Cira e o Velho juntamente com o livro Anardeus também do Walter. Ambos autografados, dedicados e com ilustrações exclusivas.


Eis uma leitura Indianista que eu realmente gostei.

É literatura brasileira recente e de qualidade, possui referências folclóricas e históricas do nosso país.

ATENÇÃO: É um livro adulto. Possui sexo e a violência come solta!

Podem encontrar mais sobre o livro e o autor em: http://www.waltertierno.com/



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